quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Do Quarto Cuja Parede Perdeu a Cor

A cabeça encostada na almofada, ele quase não abria os olhos e, os minutos iam passando... havia horas que as vidraças da janela iam permitindo que o dia o chamasse.
A preguiça cedeu, não antes de um seu abrir e fechar de olhos fazer com que notasse a falta da cor em uma das paredes que guardavam o quarto no qual dormia. Mas, como assim? aquela parede costumava ter cor, pelo menos há alguns anos. Para onde ela teria ido? Quem teria roubado a cor exatamente daquela única parede? provavelmente ele não pensou nada disso. Dizem que eles não pensam...
Nada mais estava ausente. Tudo em ordem: os quadros sustentando a parede, um vaso grande abrigando tulipas brancas de ontem e, uma borboleta amarela acabara de cruzar a janela, a janela que cortava a parede que ainda tinha cor, a que formava um ângulo de 90° com a... luz nos olhos. Mas a cabeça ainda voltada para a ausência de tinta na parede. O inseto não atraiu sua atenção o bastante para tirar-lhe daquele estado de... de... estado de... aquilo que dizemos qd... quando a voz fica doente dos olhos.

Mas ele mesmo, não diria nada. Dizem que eles não falam. E ele é só um gato. Um gato com olhos que olham demasiadamente. Extasiado. A cor da parede não estava mais lá.

Chinelos.
Pés.
Pernas.
Leite.
Branco.
A borboleta se exibindo, testando as tulipas.
Branco.

(Quem ofereceria tulipas brancas ao pé de uma parede cuja cor foi violada, violentada?)

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